O Brasil abriu 145.161 vagas de emprego com carteira assinada em junho, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados nesta quarta-feira (29) pelo Ministério do Trabalho e Emprego. O resultado decorre de 2.220.131 admissões e 2.074.970 desligamentos no período.
Com o resultado, o país acumula 921.645 empregos formais criados entre janeiro e junho, alta de 1,96% no estoque de vínculos celetistas. Ao fim de junho, o Brasil alcançou 48,03 milhões de empregos formais, crescimento de 3,1% em relação ao mesmo período de 2025.
O saldo ficou acima da expectativa do mercado, que apontava para um resultado entre 110 mil e 136 mil vagas. Contudo, o resultado foi o pior para um mês de junho desde 2020, quando o país fechou 23.111 postos de trabalho em meio à pandemia de Covid-19.
Desempenho do mês nos últimos anos:
- 2026: +145.161 vagas
- 2025: +161.999 vagas
- 2024: +201.705 vagas
- 2023: +157.198 vagas
- 2022: +277.944 vagas
- 2021: +310.036 vagas
- 2020: -23.111 vagas (pandemia de Covid-19)
Para o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho (PT), o desempenho reflete a desaceleração da economia, provocada principalmente pelo nível elevado dos juros e pelas incertezas no cenário internacional.
Segundo ele, as guerras e a política tarifária dos Estados Unidos têm pressionado setores da economia, especialmente por meio dos preços do petróleo e dos fertilizantes. Ainda assim, Marinho avaliou que o mercado de trabalho permanece “resistente” e “resiliente”.
“Você tem evidente a contribuição negativa dos juros e tem também a evidente contribuição do Mister Trump. São os tarifaços, [...] alta do petróleo em consequência da bagunça do Trump [no Oriente Médio]”, afirmou durante a apresentação dos dados.
O ministro disse esperar que a criação de empregos continue positiva no restante do ano, embora em ritmo inferior ao observado nos anos anteriores. “Não creio que vai haver uma desaceleração que inverta a curva para a negativa. Creio que vai continuar positiva”, declarou.
Serviços puxam
O destaque foi o setor de serviços, responsável pela criação de 74.514 vagas. As maiores contribuições vieram das atividades administrativas e serviços complementares (+26.634), saúde humana e serviços sociais (+20.436) e transporte, armazenagem e correio (+16.217).
Em seguida, vieram agropecuária (+22.898), comércio (+19.177), indústria (+14.438) e construção (+14.136). Todos os cinco grandes setores registraram saldo positivo no mês.
Na agropecuária, destacaram-se o cultivo de laranja (+5.396), as atividades de apoio à agricultura (+4.950) e o cultivo de café (+4.619). Na construção, a maior contribuição veio das obras de infraestrutura, com 9.876 vagas.
Apesar do resultado positivo em junho, o comércio é o único dos cinco grandes setores que ainda acumula perda de vagas em 2026. O saldo de janeiro a junho é negativo em 3.514 postos, puxado pelo comércio varejista, que eliminou 45.903 vagas no período.
Grupos e salários
Entre os grupos populacionais, o saldo foi praticamente igual entre homens (+72.569) e mulheres (+72.592). Trabalhadores de até 24 anos responderam por 125.430 vagas, o equivalente a 86,4% do total criado no mês.
Pessoas com ensino médio completo concentraram a maior parte das admissões líquidas, com saldo de 109.255 postos, seguidas por aquelas com ensino médio incompleto, com 15.185.
Dos empregos criados, 112.253, ou 77,3%, foram considerados vínculos típicos. Outros 32.908, equivalentes a 22,7%, foram classificados como não típicos, categoria que inclui trabalhadores temporários, aprendizes, intermitentes e contratos de até 30 horas semanais.
O salário médio real de admissão foi de R$ 2.404,34, alta de 0,7% em relação a maio e de 1,2% na comparação com junho de 2025. Entre os trabalhadores com vínculos típicos, o valor foi de R$ 2.446,27. Nos contratos não típicos, ficou em R$ 2.101,51.
Estados
Em junho, 25 das 27 unidades da Federação apresentaram saldo positivo de empregos formais. Em números absolutos, os maiores resultados foram registrados em São Paulo (+34.981), Minas Gerais (+20.805) e Rio de Janeiro (+16.856).
Proporcionalmente ao estoque de empregos de cada estado, os maiores crescimentos ocorreram no Amapá, com a criação de 1.111 postos e alta de 1,04%, seguido por Acre (+0,88%) e Mato Grosso (+0,85%).
Apenas Espírito Santo (-0,24%) e Tocantins (-0,06%) fecharam o mês com resultado negativo.
Fonte: Cidade Verde